Editorial - Monografias 2019.2

Elianne Ivo, Lúcia Ramos Monteiro

Resumo


Revista Rascunho

v. 13, n. 21 (2022)


Rascunho # 21 - Monografias 2019.2

 

O corpo editorial da Revista Rascunho tem a honra de trazer a público esta nova coletânea dos melhores trabalhos de conclusão dos cursos de Bacharelado e Licenciatura em Cinema e Audiovisual defendidos em 2019. 

Os temas abordados vão desde a análise estética, não raro com repercussões políticas, até questões ligadas à relação entre audiovisual e práticas educativas; interessam-se por cineastas de diferentes nacionalidades e também pelo campo do cinema expandido; debruçam-se sobre técnicas relacionadas ao cinema de animação ou às narrativas audiovisuais; interrogam, ainda, a economia do audiovisual e suas políticas públicas. A diversidade e a atualidade dos trabalhos dão prova da amplitude da formação oferecida por nossos cursos e da sintonia dos autores com temas pertinentes e relevantes para os estudos cinematográficos e audiovisuais, com vocação a servirem de referência para pesquisas futuras.

Em "Ponte, placenta, poesia – ensaio sobre ensaios de Naomi Kawase", Amina Sophia Nogueira se interessa pelo viés ensaístico presente na obra da cineasta japonesa, que cria inúmeras passarelas entre sua própria subjetividade e o mundo. 

Bruno Teodoro Fernandes, por sua vez, investiga, em "Improvisação, personagem e conflito no método Mike Leigh", o processo criativo do realizador britânico sob a perspectiva da "estratégia do conflito" presente em três títulos de sua filmografia (Nuts in May, Happy-Go-Lucky e Grown-Ups). 

Também em um viés de interesse monográfico, Luciene Medina de Souza escreve "A figura do intelectual no filme Actas de Marusia, do cineasta Miguel Littín"; Matheus Albano de Souza, por sua vez, publica "O pessimista: Uma análise sobre o cinema de Mikio Naruse", em que aborda o trabalho do cineasta japonês autor de dramas que retratam as vidas da pequena burguesia, vendidos quase sempre para um público feminino e por isso considerados "filmes de mulheres" ou joseieiga.

A monografia de Eduardo Fontolan Marella empreende um caminho analítico pouco trilhado: o da análise de figurino no filme que Rogério Sganzerla realiza em 1970. O resultado é "Os caminhos de um vestido perigoso: Análise do filme Copacabana Mon Amour a partir do figurino de Sonia Silk".

"A representação da periferia no cinema da retomada", de Daniela Rodrigues Moura, volta-se à identificação de estereótipos presentes em alguns filmes realizados na Grande São Paulo, que contribuem para a estigmatização dos moradores de regiões periféricas, além de analisar também contra-exemplos, que apontam para novos e inspiradores rumos. Isadora Mota Rodrigues D´Silva escreve "A representação do mal a partir de figuras femininas na Disney", analisando visualmente e narrativamente a caracterização de algumas das mais conhecidas vilãs do grande estúdio estadunidense. 

"Análise cinematográfica de dois filmes hondurenhos: Mi Amigo Ángel (1962) e Alto Riesgo (1996)", de Julio Cesar Zelaya Rosales, explora a potência da linguagem cinematográfica em Honduras, através de análises da decupagem dos dois filmes, escolhidos tanto por sua relevância narrativa, quanto por seu impacto midiático. 

Em "A Ambiguidade na representação queer no giallo", Victor Ozanan Diorio Simões procura identificar as características principais e o contexto histórico desse importante filão do cinema de horror mundial, analisando sobretudo a caracterização de personagens queer. 

A perspectiva dos estudos da narrativa audiovisual está presente no trabalho de Keven Fongaro, "Uma introdução aos fundamentos da Narratologia", que investiga os principais conceitos apresentados pela disciplina, a partir do trabalho de autores estruturalistas francófonos das décadas de 1960 e 1970.

Numa abordagem que investe na interface entre dança e cinema, Thales Ferreira Bandeira de Abreu, em "Corpo, câmera, movimento: Corpos que dançam para a tela no Brasil", discute a videodança no país a partir da obra de duas artistas, Maria Esther Stockler e Analívia Cordeiro. O olhar transversal também se faz presente em "Cartografia Cinematográfica - considerações sobre um campo transdisciplinar", Marina Rossi Gurgel estuda o filme News from home (1977), de Chantal Akerman, à luz de problemáticas ligadas ao campo da cartografia.

No campo do cinema de animação, Douglas da Silva é autor de "A câmera animada: A movimentação da câmera virtual na animação 2D". Já Isabella de Oliveira Suplino, no trabalho "Quem tem medo de massinha? Um estudo sobre as possibilidades do stop motion como escolha estética em animação de horror", analisa dez curtas-metragens de horror e discute como a técnica de animação pode se apropriar de elementos estéticos do gênero, vendo no stop motion um possível constituinte estético-narrativo. 

Igualmente motivada por questões relacionadas ao gênero, Paula Mermelstein Costa, em "A construção do horror nos filmes I Walked With a Zombie e Les yeux sans visage", estuda os filmes realizados respectivamente em 1943 e 1960 a partir da concepção de horror de Noël Carrol e de proposições de Tom Gunning, Andre Gaudreault, Inês Gil e Robert Spadoni, interessada nas figuras do monstro e do estranho familiar.

Quanto a Thays Pantuza Coelho Pinto, em "Cognição e imersão no audiovisual. Como a narrativa dos videogames pode interferir na subjetividade do jogador", a autora busca entender a narrativa imersiva dos games e seus impactos na mente e no comportamento dos jogadores, abordando a questão da ansiedade. 

Interessado pela articulação entre pedagogia e audiovisual, Lucas De Martin Fortunato apresenta, em "Visão docente: um estudo sobre a relação do Cinema e do Audiovisual na educação básica", uma reflexão sobre a presença intensificada do audiovisual nos processos de ensino a partir de uma série de entrevistas com professores da educação básica. Também na articulação entre cinema e educação, sob o título "Ética a partir da linguagem audiovisual. Reflexões sobre uma prática educativa audiovisual", Anna Bastos Faria descreve um curso de extensão sobre ética e justiça a partir da linguagem audiovisual e reflete sobre a experiência. 

Em "De Volta às Telas: Os Processos da Reconstituição de Acabaram-se os Otários (1929)", Juliana da Silva aborda o processo de reconstituição do filme de Luiz de Barros, do qual participou em 2019 dentro ao lado dos professores Rafael de Luna Freire e Reinaldo Cardenuto Filho. 

Já Maria Luiza Bezerra Neves Gonzaga, em "Audiodescrição e o mundo lúdico da infância: uma reflexão sobre AD, infância e experiência tátil", parte do desejo de desenvolver um roteiro de audiodescrição (AD) para o público infantil, apoiando-se na metodologia da pesquisa-ação.

Ainda em uma perspectiva que alia reflexão e prática, e movida pelo desejo de provocar não apenas apenas reflexões, mas afetos, "Corpos Invisíveis: entre a dor e a potência", de Quézia Maria Lopes Gomes da Silva Ribeiro, trabalho de memorial associado a seu documentário Corpos Invisíveis, sobre a invisibilidade dos corpos negros femininos na cidade, na vida social. 

Por fim, numa abordagem que alia economia do audiovisual e políticas públicas, Pablo Felix de Paiva dedica-se a pensar a discrepância entre a produção nacional e o público das salas de cinema a partir de dados de 2018 em "Assimetrias do mercado cinematográfico brasileiro: uma reflexão sobre a exibição e distribuição atualmente".

Desejamos uma boa leitura.

Elianne Ivo, Lúcia Ramos Monteiro



Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.